Partilhamos consigo um artigo de Carolina Afonso, Diretora de Marketing da Konica Minolta Portugal, Professora no ISEG e Membro da Direção da APPM.

Vários estudos internacionais de Harvard ou do MIT são unânimes quanto ao perfil das equipas de marketing no futuro: as equipas serão cada vez mais multi-disciplinares, pois tem que existir pessoas da área do marketing, da gestão, da engenharia eletrónica, da comunicação.

Para se ser um profissional de sucesso nesta área tem que se perceber de tecnologia, saber o que é um algoritmo, tentar entender como funcionam os algoritmos das diferentes plataformas (Google, Facebook, etc), perceber de arquitetura web, interfaces e usabilidade, de aplicações, como funcionam os motores de busca, de modelos de monetização de cada um, dos novos formatos possíveis, de otimização e de performance. E é precisamente aqui que as competências são difíceis de encontrar.

Hoje o marketing é tecnologia, portanto tem que haver uma apetência técnica. Também são precisos analistas de dados, porque o digital traz-nos uma grande quantidade deles e muitas empresas nem têm capacidade interna de analisar a quantidade de que dispõem. Isto obriga ao tratamento e classificação de dados e a tirar insights deles. Daí também fazerem falta data scientists nas organizações.

Este “merge” entre marketing e tecnologia é algo raro e difícil de encontrar quer no mercado, quer dentro das próprias empresas, pois estas áreas ainda estão muito compartimentadas e pouco multidisciplinares. Os resultados? Campanhas muito bem elaboradas estrategicamente falando e que falham na execução e nos resultados. Pensou-se, acionaram-se os meios, mas não se optimizou, não se pensou na experiência do utilizador, descuraram-se outras métricas e fez-se o business as usual. No final, apresentaram-se os dados de alcance de campanha, o CPC e pouco mais.

Na minha opinião o cerne da questão neste momento está mesmo centrado no perfil necessário para desempenhar estas funções com sucesso. E aqui, para além da combinação entre um background de marketing e tecnologia são necessários também soft skills como resiliência, ter um espírito curioso e de procura constante de inovação e saber e também capacidade de trabalho em equipas multidisciplinares. Por fim, são necessárias pessoas e não colaboradores. Pessoas que vistam a camisola, envolvidas com os objetivos da empresa e que vibrem com cada projeto. Que não sejam vistas como um recurso mas como uma fonte. E por isso é que há neste momento um défice no mercado destes profissionais. Há muitos com a formação base mas poucas são as pessoas que combinam estes fatores críticos indispensáveis hoje para qualquer empresa e este é também um desafio para as organizações e escolas, que terão que se reinventar para formar os marketers do presente e do futuro.

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