Hoje apresentamos uma nova colaboração no projecto LOOK OUTSIDE.  João Campoa Rodrigues, Managing Director / Head of Digital na Activate Brand Action e na Golo Think Local. A viver em Maputo / Moçambique desde 2012, é especializado em estratégias digitais, activação  e comunicação. Adora viajar e fotografia. Vai partilhar connosco, mensalmente, a sua visão sobre as principais tendências de Marketing e Comunicação em Moçambique.

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João Campoa Rodrigues / Acertar o Foco

joao campoa rodriguesNo outro dia captei um momento em fotografia que insiste em perdurar no meu pensamento.  Na altura foi apenas uma foto. Mais uma foto. Mesmo que tenha percebido que estava perante uma composição de factores pouco prováveis, nunca pensei que tal foto me levasse continuamente a testa-la como imagem perfeita da minha experiência de internacionalização para Maputo, Moçambique.

 A imagem é simples: Enquadrado por grades envelhecidas pelo tempo, e cheias de arestas afiadas está um pássaro colorido, pousado no sitio certo, numa tubagem de um tanque de água, à espera do momento em que sobra uma gota de água que vai vertendo do sistema e que ele aproveita para se refrescar. É assim a imagem.

 A nível de composição ficou realmente muito boa, um momento muito interessante. Segue então o desafio de partilhar experiência sobre um processo de internacionalização através da mesma:

 Diz-me a experiência à chegada, um mercado novo será sempre um local fechado. Com grades. Com barreiras à entrada mais ou menos afiadas. Mais ou menos hostis. Todos nos defendemos, os mercados são feitos por pessoas, é natural que se faça sentir essa defesa.

 As grades que a foto apanhou, num primeiro plano, ilustrarão bastante bem, as barreiras que existem à entrada. Há hábitos antigos de compra e de venda que são muito difíceis de mudar. Quer seja o hábito de comprar a quem sempre comprámos e com quem temos uma relação de confiança sustentada por anos de experiência, como também o hábito de resolver os desafios de sempre, sempre da mesma forma. Que resulta, tem resultado e porque haveria agora de deixar de resultar? Estas grades, são muito importantes, fazem parte da composição. Há que as respeitar, conhecer e até admirar.

 Ao fundo da foto, vislumbra-se um tanque de água. Ou pelo menos, algo que podemos identificar como a fonte. A fonte que todos procuramos, o liquido que dá vida a todo o sistema e que, como tem de ser, está bem guardado. Fechado num sistema canalizado com acessos a todos os que, com mérito, investimento e luta, conseguiram a sua própria fonte, na sua própria casa para governarem os seus sonhos e suas necessidades.

 No meio deste emaranhado de defesas, estruturas, ferros, sistemas, canalizações, um olhar mais atento, pode detectar uma oportunidade. Um local por onde verte água. Lenta mas consistentemente. Um acesso à sobrevivência que talvez ainda não tivesse agarrado a atenção de ninguém. Ou porque, quem poderia, investe no que já tem e não se sente confortável em investir ali. Ou porque, quem já a viu e até lhe parece interessante, não tem como lá chegar.

 É nisto que chega, alguém preparado para lá chegar e que vê nesta oportunidade uma forma de construir para si, uma base de sobrevivência e de manutenção no seu ambiente. Um pássaro colorido que, por ser leve e bem preparado consegue sustentar-se onde poucos o conseguiriam e aproveitar esta aberta. Esta oportunidade. Este pássaro está preparado para agarrar esta oportunidade em concreto, subsistir e ganhar condições para querer mais. Este pássaro tira o melhor do que tem para agarrar as oportunidades que encontra sem invadir o espaço de ninguém, sem agitar o sistema e sem precisar que alguém saia ou sequer se prejudique para que possa ali estar.

 passaroE assim vejo este momento, esta captura a ensinar-nos a construir acessos a novos mercados. Temos que ter consciência das nossas capacidades, sabermos o que nos poderá ajudar a alcançar este “tubo frio, de difícil acesso e inclinado” para podermos receber as “primeiras gotas de água” que nos possibilitarão continuar o caminho da construção.

 Falta a esta foto, a fase seguinte, talvez a mais importante e aquela a que um pássaro já não pretenderá chegar mas de que nós como agentes racionais de uma economia global dependemos para operar de forma justa, correcta e respeitadora.

 Temos que ter condições e ambição, não apenas para viver de uma oportunidade que encontramos, mas sim de trabalhar para devolver ao ambiente que a possibilitou, valor em medida maior. O objectivo máximo terá que ser sempre, a meu ver, um tangível e sustentável acréscimo de valor a todos os factores que compõem qualquer mercado. O poder-se dizer que, depois da oportunidade que conquistámos, estamos focados em que todos cresçam connosco e que o resultado seja de melhoria de todos.

 É muito importante escolher o foco para passar bem a mensagem. E neste caso, o foco está no pássaro, nas suas características e capacidades únicas de levantar voo e posicionar-se como vencedor dos seus objectivos.

Autor: João Campoa Rodrigues

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