Partilhamos consigo um artigo de opinião escrito por Catarina Barradas, membro da Direção da APPM e Diretora de Marketing da FOX Networks Group Portugal.

Cada vez acredito mais num marketing colaborativo e multidisciplinar. As melhores campanhas que tenho visto são resultados de parcerias em grande escala. Parcerias entre marcas, agências criativas, empresas tecnológicas, plataformas de artistas ou associações. Não há um limite para os intervenientes, embora sempre sob uma estratégia clara de marca, com os egos postos de lado e com o objectivo de tornar uma ideia maior e com impacto, seja ele ROI ou social, todos aqueles que possam acrescentar valor, devem ter uma voz ativa.

Dou como exemplo o projecto #ShowUs da Dove, com a Getty Images e a plataforma de mulheres artistas, Girlgaze. Um exemplo de uma marca que se aliou com os parceiros certos para fazer uma mudança concreta na indústria publicitária, onde a maioria das mulheres não se sentia, ou sente, identificada com os estereótipos de beleza irrealistas… Esta visão limitada, elitista, injusta e pouco diversa tem um impacto directo na saúde física e psicológica das mulheres, na sua forma de agir e de sentir.

Só a colaboração entre estas três organizações tornou possível um objectivo tão ambicioso, a transformação total de uma indústria, desafiando as artistas e talentos locais da Girlsgaze a fotografarem mulheres em todo mundo, para criar o maior banco de imagens usadas em publicidade, feito por mulheres, mostrando–as tal como elas são.

Para suportar a diversidade, sustentabilidade e grandeza deste projeto, a Dove lançou uma campanha global onde desafiou todas as mulheres a partilharem as suas imagens, e todas as agências criativas a utilizarem-nas, contribuindo para uma mudança efectiva.

#ShowUs é uma colaboração onde os créditos são partilhados sem medo, onde se procuram as melhores parcerias para tornar um objectivo ambicioso numa realidade, numa mudança concreta, onde a marca não vende, mas em que se posiciona como agente de mudança no mercado  .

Falta em Portugal este tipo de pensamento de colaboração, de parcerias acertadas para fazer crescer uma ideia que no final muda comportamentos e muda a relação com as marcas. É preciso pensar grande e com escala, temos de perder o medo de partilhar ideias e de as fazer crescer com os parceiros certos. Usar, por exemplo, as plataformas tecnológicas como criadoras, mais do que como apenas meios para fazer chegar a mensagem. A tecnologia abre todo um leque criativo que permite que ideias antes impossíveis de concretizar, sejam hoje facilmente executadas.

É necessário que haja, por parte das empresas, marketeers, agências, um trabalho consciente para definir uma verdadeira estratégia colaborativa, em que todos os parceiros estejam alinhados com os objetivos de marca, partilhem um propósito, e possam em conjunto dar sentido a uma ideia e fazer com o que o seu impacto seja uma realidade. Numa época que o consumidor está, não só mais exigente e atento, mas também ativista, as marcas têm de atuar com o mesmo mindset e interiorizar que o todo, é mesmo, maior do que a soma das partes.

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