Partilhamos consigo um artigo de Victoria San Martin, Consultora e Membro da Direção da APPM, intitulado “Eu Marketer me confesso”.

 

Na faculdade e durante toda a nossa carreira  de marketing,  aprendemos que profissional de marketing é a pessoa que se dedica ao “estímulo” da venda de produtos e que a melhor forma de criar o “estimulo” da venda, é desenvolver eimplementar estratégias que possam gerar vantagem competitiva para o negócio.

Analisamos o comportamento do consumidor e detetamos oportunidades para incrementar as vendas e a rentabilidade, tendo o consumidor como o centro da nossa atenção.

Se fizermos bem a nossa função, o nosso produto ou serviço será o que o cliente procura  com o preço correto no lugar certo e a nossa vantagem competitiva  suficiente para criar consumidores rentáveis de longo prazo.

Deveria ser assim, certo? ERRADO. Andei toda a vida enganada!

Saio a rua como consumidora e sou bombardeada por promoções, cartões, descontões complexos entre empresas:  se comprar 5kg de bananas terei um desconto de 10 cêntimos na minha conta de luz que por sua vez acumula pontos num cartão que me dá 2 euros em cada 20 litros de gasóleo  e ainda ganho pontos para comprar um trem de cozinha  num catálogo da bomba de gasolina…  Mas cuidado tenho que ler bem as letras pequeninas de cada um dos intervenientes na promoção pois,  a estratégia está bem montada e  as letras pequeninas avisam-me  que não me posso esquecer dos prazos, dos limites diários  e de uma lista  de regras intermináveis se realmente tiver a intenção de aproveitar a promoção e pagar as bananas ao seu verdadeiro preço.

Transformei-me junto com o resto da população em “analista de promoções forçada”… por hora, por dia, por tipo de produto e por tipo de loja… confundida, irritada  e sentindo-me enganada quando perco os prazos os pontos ou esqueço-me dos vales.

Se advogamos que existimos para facilitar a vida ao consumidor, estamos a enganar-nos a nos próprios. Idealizamos estratégias complexas para supostamente fazer cross-selling e upsellings inteligentes  e afinal o  único que estamos a conseguir  é enganar e confundir o consumidor.

Não sei que parte da equação perdi  durante  a minha carreira como Profissional de marketing mas gostava que alguém me explicasse  com factos que afinal o correto em marketing  é  assentar a vantagem competitiva na atividade promocional, no desconto, no ponto, no vale e no  cartão e fazer o consumidor andar com três cartões de supermercado,  uma carteira cheia de vales desconto,  5 aplicações entre empresas parceiras e  após uma complexa análise decidir em que dia, em que loja e em que limite diário  pode usar o desconto das bananas… provavelmente o marketing e os financeiros já fizeram as suas contas e  rezam para que o consumidor não desenvolva essa complexa competência analítica e se esqueça da promoção dos 50% não imediatos nas bananas.

Afinal o que aconteceu ao famoso mote de “Sem cartões nem complicações”?  Aquela famosa campanha que prometia um mundo melhor para o consumidor?

Por favor,  dá para ser mais fácil? Só quero pagar as bananas, a gasolina e a conta da luz a um preço justo para todos e comprar um trem de cozinha quando realmente precisar.

Ah! e se não for pedir muito, gostava também que alguém analisasse a informação no meu cartão de fidelização para maximizar o meu valor como cliente e me personalizar as ofertas em função do meu perfil de consumo.

É assim tão difícil?

 

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