Nem tudo são más notícias. Hoje o Eurostat anunciou que a economia Portuguesa foi a que mais cresceu na zona Euro no último trimestre. Para este crescimento muito contribuiu a indústria do Turismo, que é o principal sector exportador de bens e serviços de Portugal, responsável por 14% das exportações, ao mesmo tempo o sector já representa perto de 11% do PIB e 8% do emprego total nacional.

Os mais pessimistas pensavam que não conseguiríamos mas cá estamos. Eu diria até que melhor preparados, e sobretudo mais realistas. A crise dos últimos 2 anos obrigou-nos a ser objectivos e mais assertivos nos negócios mas por outro lado obrigou-nos também a ser mais criativos na forma de abordar o sector do Turismo. Quais serão as tendências mais relevantes para o sector do Turismo? A futurologia é uma arte dificil, mas deixo-vos com 10 indicadores tendências que vieram para ficar.

#1 – Não existem preços fixos. A regra é Negociar.

Se os últimos anos forma excelentes para quem comprou serviços de viagem, a tendência irá manter-se. Hóteis, Tour operadores, Companhias aéreas, DMC’s e outros players do sector têm de preparar-se para negociações mais cerradas, oferecer serviços complementares de modo a valorizar a oferta, e a regra dos preços finais vai ter de ser repensada, especialmente para clientes fidelizados. A regra é não perder clientes e para tal há que negociar.

#2 – In Digital we trust

É ponto acente que a comodização da internet, o crescente uso de Smartphones e a elevada penetração das comunidades online e das redes sociais vieram para ficar. Mais interessante será ver de que forma é que os players do Turismo aproveitam este nova realidade para posicionar as suas marcas, serviços e produtos e transformar este potencial em vendas. Não espanta por isso, assistirmos a uma proliferação de ofertas em tempo real via Facebook e Twitter, ofertas lastminute e leilões. Quem sairá a ganhar desta competição em tempo real? Os consumidores sem dúvida e as marcas mais ágeis que saibam adaptar-se a esta nova realidade criando produtos relevantes e consistentes.

#3 – Viagens aéreas à-la-Carte

Depois da revolução das Low-Cost, que veio mostrar ao Mundo que é possível voar a preços reduzidos mantendo um nível de serviço similar, estamos agora a assistir a um fenómeno de voar “a la carte”. Tudo ou quase tudo numa viagem de avião pode ser objecto de venda. Se para os viajantes pagar os snacks e as bagagens já passou a uma rotina no momento da reserva, prepare-se agora para pagar mais por um lugar à janela, por uma ida à casa-de-banho, por uma almofada ou um cobertor. O caminho é rentabilizar o preço por passageiro e nessa equação vamos também assistir a parcerias entre companhias de aviação e marcas com o intuito de vender produtos e serviços extra aos passageiros durante o voo, como é o caso da Starbucks que estendeu a sua presença aos aviões da Easyjet.

#4 – Turismo de fé

Com um Mercado global estimado em mais de 300 milhões de viajantes, o turismo Religioso ou de fé, é uma tendência em crescendo em todo o Mundo. A nomeação do novo Papa Francisco, veio dar um novo fôlego a este segmento. Este novo fôlego poderá ser uma excelente oportunidade para comunicar a região de Fátima ao Mundo.

#5 – Internet e Wi-Fi grátis

O tempo em que os consumos de internet eram taxados aos clientes dos hoteis tem os dias contados. Hoje em dia o acesso à Internet está de tal forma democratizado e banalizado que esse serviço é visto como parte integrante da estadia. Da mesma forma que ter água quente e televisão no quarto são um dado adquirido, o acesso à Web já o é em muitos casos ou será em breve, noutros casos, um serviço gratuíto que no momento da escolha do Hotel fará pesar a decisão seguramente.

#6 – Aplicações móveis para Viajantes

Com o crescimento exponencial dos smartphones, especialmente no segmento dos viajantes Business, vamos assistir a um rápido crescimento de aplicações móveis que visam melhorar as experiências de viagem ou minimizar os tempos perdidos em Check-ins, check-outs, preenchimentos de fichas de clientes ou até pedidos de room-service antes da chegada ao Hotel. Por outro lado, os serviços tradicionais de apoio em viagem terão de se adaptar a este novo paradigma de gestão em tempo real, de modo a responder de forma mais eficaz e mais ágil aos pedidos dos clientes. E neste campo, os principais players do Turismo já descobriram o valor inestimável do Twitter na área do serviço a clientes.

#7 – Silver Market em crescimento

Com o envelhecimento global da população, surgem novas oportunidades para o sector do turismo. Já existem no mercado algumas combinações interessantes de produtos turísticos especificamente desenhadas para este segmento, no entanto muito ainda está por explorar. Nomeadamente a criação de produtos que garantam assistência médica permanente, prioridade no check-in, auxilio na mobilidade entre terminais de aeroporto ou disponibilização de Guias turisticos que permitam um contacto personalizado com os viajantes. Todos estes serviços extra representam oportunidades reais de aumentar o valor da viagem.

#8 – Destino G&L

Com a promulgação do diploma que autoriza o casamento homossexual em Portugal, abrem-se novas oportunidades para o sector do turismo em Portugal no segmento G&L. Viagens e festas de casamento, Packs especiais de Alojamento e Lua-de-Mel, são apenas alguns exemplos de um mercado que nos Estados Unidos representa 54 mil milhões de dólares anuais. Dados indicam também que os Turistas G&L gastam 30% mais que os turistas tradicionais nas suas viagens, e são mais exigentes, primam pela qualidade e buscam opções na áreas de cultura, arte, moda, gastronomia e lazer. É tempo das mentalidades mais conservadoras do sector mudarem e começarem a olhar para este segmento como uma forte aposta.

#9 – Aposta no Turismo médico

Depois da praia e do Golfe, a Medicina será um importante driver para o turismo em Portugal. Um recente estudo desenvolvido no Reino-Unido, indica que o turismo médico é uma das actividades comerciais que registou maior crescimento nesse mercado. Portugal poderá ser um importante player deste segmento. Temos um clima temperado “favorável à recuperação”, e esta é uma das principais vantagens do país face a outros concorrentes. Por outro lado os custos de uma cirurgia estética ou dentária podem custar menos entre 32 e 66 por cento do que no Reino Unido. Por outro lado a hospitalidade e as atracções turísticas, como a praia ou o golfe, podem contribuir para um período pós-operatório mais aprazível para o paciente e o acompanhante.

#10 – Simplificar a oferta para atrair Jovens

As Low-Cost deram o mote e através de um equilibrio perfeito entre preço e serviço conseguiram atrair os jovens para um sector que estava em queda há alguns anos. Hoje os “Backpackers”, jovens (15-25 , 26-34) são o principal motor desta industria que movimenta milhões de euros. Por outro lado nas principais capitais europeias os Hostels surgem como cogumelos e têm taxas de ocupação anuais quase a rondar os 80%. É tempo dos principais players da hotelaria acordarem para este segmento e desenvolverem produtos específicos para os jovens, mais simples e com preços mais ajustados.

Por: Rui Ventura.
Presidente da Associação Portuguesa dos Profissionais de Marketing.
Docente e Coordenador da Pós-Graduação Gestão Hoteleira e Hospitality Management – Universidade Europeia.

2 Comentários
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