Partilhamos consigo um artigo de Manuel Paula, Diretor de Marketing do El Corte Inglês e Membro da Direção da APPM.

 

Há 2 formas de ver 2020, aquele que parece vir a ser o pior ano económico desde o final da 2ª Guerra Mundial: ou nos queixamos e lamentamos a sua existência, esperando que termine rápido; ou nos aproveitamos dele e dos seus ensinamentos únicos, necessariamente diferentes dos que podíamos ter colhido dos anos anteriores. Optamos pela 2ª, uma vez que a 1ª não nos leva a lado nenhum.

Quando entrámos neste ano de 2020 era absolutamente impossível prever o que viria a acontecer e creio que ainda estamos longe de poder dizer que vemos a luz ao fundo do túnel.  Muitos dizem que nunca haverá uma 2ª vaga, porque pura e simplesmente a 1ª vaga nunca desaparecerá. Efetivamente teremos de saber viver esta nova realidade em que vamos confinando e desconfinando, em função de onde e quando apareçam novos surtos do covid. E se conseguirmos fazer esta gestão deitando um olho à economia, podemos vir a ganhar muito. Não esquecer que o futuro será sempre consequência daquilo que fizermos no presente. O que podemos esperar então do futuro? Há 2 situações evidentes.

A primeira é confirmar que os consumidores estão muito mais digitais, sendo evidente que o confinamento foi determinante para acelerar a aproximação dos portugueses ao digital, quer como plataforma de eCommerce, de consulta, de informação, de trabalho, de aprendizagem ou de entretenimento. Penso que esta realidade não tem volta atrás e todos os negócios assentes no digital, ou que convivam com o digital ao longo da sua cadeia de valor saem fortalecidos desta situação.

A segunda é uma maior permanência em casa, seja em teletrabalho, no apoio à família ou pura e simplesmente por medo ou precaução. O teletrabalho traz algumas vantagens; há menos desperdício de horas improdutivas a caminho do trabalho, menos gastos e mais flexibilidade laboral.  Há várias áreas de negócio que ganham com a permanência em casa: telecomunicações, informática, equipamento para a casa ou supermercados e negócios de proximidade. Mas ficando em casa, há sectores que ficam claramente a perder: restauração, lazer, viagens e turismo, todo o tipo de eventos e entretenimento; também haverá contração no consumo de vestuário, já para não falar de todos os segmentos associados às deslocações: automóveis, combustíveis, transportes públicos. A perda de uns pode ser o ganho de outros, mas a verdade é que o PIB nacional deve cair perto de 10%. Serão, portanto, mais os que perdem que os que ganham.

Enquanto cidadãos e consumidores deveremos, na medida das nossas possibilidades, tentar inverter esta situação. Antes de mais sendo conscientes da mesma, assumindo actos para prevenir e conter a propagação do vírus; e enquanto consumidores tendo uma atitude proactiva na dinamização económica, entendendo que o combate não se faz apenas fechando-se em casa, mas sim tentando regressar a uma normalidade baseada num comportamento responsável.

E o que podem fazer os marketers? Ante toda a incerteza que vivemos serão antes de mais, verdadeiros capitães de navios, que terão de navegar à vista enquanto todo este nevoeiro não se dispersar, o que vai requerer grande capacidade de ação e reação ante um cenário muito mais incerto, e portanto, muito mais difícil. É previsível que a dinâmica de mercado e os novos comportamentos do consumidor obriguem a ser ainda mais dinâmicos, rápidos, agressivos e conscientes de que navegam fora de rotas conhecidas.  Os que forem capazes de o fazer sairão muito mais fortes e deverão, por isso, agradecer: “obrigado 2020, mas até nunca mais!”.

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